logo-global-sup-pub-color-white.svg

Global Academic Publisher

Academic and Editorial Management
Specialized in Health Sciences
with Emphasis on Scientific Publication

Our Ebooks

Explore our collection of ebooks in Health Sciences. Our publications cover Nursing, Medicine, and related fields, providing high-quality academic content for researchers, students, and healthcare professionals.

CHAPTER 1. Corpos que sentem: saúde para além do modelo biomédico

Este capítulo critica o modelo biomédico, hegemônico desde o século XIX, por seu reducionismo dualista que separa mente/corpo e trata apenas o que é mensurável, silenciando a experiência subjetiva do adoecimento. A crítica fundamenta-se na fenomenologia, nas ciências sociais e na neurociência afetiva, que mostram que o corpo é agente perceptivo e histórico - distinguindo nocicepção de dor, lesão de sofrimento e doença de adoecimento.

Na prática, protocolos exclusivamente biomédicos ignoram variações culturais e sociais. Evidências apontam que sistemas com escuta longitudinal e atenção primária robusta geram melhores resultados em condições crônicas do que modelos focados em episódios agudos. A proposta "corpos que sentem" defende a reintegração da experiência encarnada ao diagnóstico, sem abandonar a tecnociência, mas articulando-a com narrativas e contextos por meio de ferramentas como PROMs e Medicina Baseada em Narrativa.

Na formação profissional, algumas universidades já introduzem humanização e antropologia médica, mas a resistência corporativa e a lógica produtivista fragilizam essas inovações. Na gestão, a Política Nacional de Humanização tensiona o modelo ao propor clínica ampliada e cogestão, mas esbarra em financiamento insuficiente e falta de métricas subjetivas.

Conclui-se que superar o modelo biomédico exige reformas curriculares, mudanças na regulação e produção de evidências que integrem desfechos clínicos e experienciais, não apenas boa vontade.

Study 1 Efeito Da Acupuntura Auricular No Manejo Do Estresse Dos Residentes De Enfermagem: Estudo Experimental
Study 2 Terapia Floral No Manejo Da Ansiedade: Revisão Narrativa
Study 3 Aromaterapia No Manejo Da Ansiedade Em Profissionais De Enfermagem: Estudo Quase Experimental
CHAPTER 2. Saberes ancestrais e práticas integrativas: cultura, tradição e resistência

Este capítulo aborda os saberes ancestrais como sistemas médicos complexos (medicina chinesa, ayurvédis, práticas indígenas e quilombolas) organizados em torno de noções como desequilíbrio energético, tabus e harmonia com o território — irredutíveis a meras "crenças" a serem substituídas.

No Brasil, o Estado operou dupla lógica: criminalização das práticas não licenciadas (curandeirismo) e apropriação etnofarmacológica de saberes via patentes, sem justiça às comunidades. A resistência manifesta-se em três frentes: (1) transmissão oral por parteiras, raizeiros e pajés em paralelo ao sistema oficial; (2) articulação político-institucional em conferências de saúde indígena e movimentos negro-quilombolas; (3) pesquisa acadêmica em etnobotânica e antropologia médica crítica.

Exemplo paradigmático é o xamanismo yanomami, cuja eficácia simbólica atua sobre estresse pós- traumático e doenças de vínculo. Sua integração exige reconhecimento da lógica interna e do papel na identidade étnica, não "validação científica" de cada procedimento.

Contudo, a incorporação dos saberes ancestrais às PICs no SUS gera contradições: a padronização e descontextualização em manuais, ministrada por profissionais formados na graduação convencional, aumenta o risco de apropriação cultural branda — oferta sem o marco ético de partilha de poder com as comunidades.

O capítulo defende o conceito de tradução intercultural, com protocolos que respeitem a assimetria ontológica entre sistemas médicos, garantindo consentimento livre, prévio e informado, não mera coleta para o mercado terapêutico. A resistência, assim, é manter a tensão produtiva entre tradição e institucionalidade — sem que uma anule a potência crítica da outra.

Study 4 Barro, Ervas E Memória: Uma Oficina De Tintas Naturais Como Prática De Cuidado Em Um Terreiro De Japeri
Study 5 Respirar No Território: Meditação Itinerante, Cultura E Espiritualidade Potiguar Como Cuidado
Study 6 Percepção De Profissionais Sobre Práticas Integrativas E Complementares Na Atenção Primária À Saúde
CHAPTER 3. Práticas integrativas e o SUS: políticas públicas, avanços e contradições

Este capítulo analisa a institucionalização das Práticas Integrativas e Complementares no SUS, iniciada com a PNPIC em 2006, que recomendou 19 práticas, ampliadas para 29 em 2017 e 2018, incluindo acupuntura, fitoterapia, reiki, meditação e terapia comunitária. Do ponto de vista dos avanços, registraram-se mais de 7 milhões de procedimentos entre 2012 e 2020 em cerca de 2.700 municípios, com fomento à formação profissional via universidades, instalação da Comissão Nacional de PICs em 2019 e protocolos de auriculoterapia durante a pandemia para manejo de ansiedade e insônia em profissionais de saúde. Contradições, porém, persistem.

A primeira diz respeito ao financiamento: sem rubrica específica no orçamento do SUS, as PICs dependem de incentivos variáveis do Previne Brasil, que privilegia indicadores biomédicos, levando gestores a descontinuar as práticas em crises fiscais.

A segunda contradição está na oferta desigual: capitais do Sul e Sudeste concentram mais de 60% dos serviços, enquanto municípios de pequeno porte das regiões Norte e Nordeste registram oferta baixíssima ou nula, tensionando o princípio universalista do SUS. Além disso, o modelo avaliativo hegemônico, baseado em produtividade, mostra-se inadequado para capturar efeitos longitudinalmente relevantes das PICs, como redução do uso de benzodiazepínicos ou melhora na capacidade laboral.

O capítulo propõe a adoção de desfechos narrativos e de qualidade de vida, bem como ensaios clínicos pragmáticos em atenção primária, para subsidiar a negociação orçamentária anual, alertando que, sem isso, as PICs correm o risco de permanecer como boas intenções periféricas, sem se tornarem política estruturante.

Study 7 Formação Em Auriculoterapia Na Residência Em Enfermagem De Família E Comunidade: Integração Às Práticas Na Atenção Primária À Saúde
Study 8 O Projeto De Extensão Alegria Contagia E As Estratégias Lúdicas De Ensino-Aprendizagem E Musicoterapia No Âmbito Intra E Extra-Hospitalar: Um Relato De Experiência
Study 9 A Utilização De Estratégias Lúdicas De Ensino- Aprendizagem Para O Público Infantil Em Uma Comunidade No Município Do Rio De Janeiro: Um Relato De Experiência
CHAPTER 4. Cidadania, acesso e direito ao cuidado integral

O direito à saúde no Brasil, constitucionalmente garantido, tem sua concretização ampliada pelo reconhecimento das Práticas Integrativas e Complementares, embora isso ainda seja recente. A tese central é que a cidadania em saúde demanda um conceito de acesso que inclua disponibilidade, acessibilidade, aceitabilidade cultural e qualidade, dimensões em que as PICs enfrentam barreiras específicas.

Normativamente, a Lei 8.080/90 já prevê articulação entre práticas, e há precedentes judiciais e da Defensoria Pública que obrigam municípios a ofertar acupuntura e fitoterapia a populações tradicionais, com base no princípio da equidade, mesmo sem enfrentamento direto pelo STF. As barreiras de acesso são de quatro ordens: oferta insuficiente de profissionais capacitados (menos de 5% dos médicos da atenção primária têm formação em PICs); regulação inadequada, com ausência de códigos para faturamento; resistência cultural de profissionais que desaconselham as práticas; e falta de informação à população sobre seu direito a elas.

Experiências exitosas incluem Sobral (CE), que implantou auriculoterapia em todas as UBS com redução de 34% na demanda por ansiolíticos, e Florianópolis, que incorporou terapia comunitária integrativa nos CAPS, diminuindo encaminhamentos psiquiátricos. Contudo, o direito ao cuidado integral não se resume a uma lista de práticas, mas implica não discriminar usuários que optam por itinerários não biomédicos.

O capítulo propõe ouvidorias específicas para PICs e inclusão do tema nos conselhos de saúde, afirmando que a cidadania futura se medirá pela capacidade do sistema de acolher diferentes formas de cuidar, seguras, informadas e voluntárias, sem que o usuário precise recorrer ao setor privado ou à clandestinidade terapêutica.

Study 10 Corpos, Saberes E Direitos: Práticas Integrativas No Campo Da Saúde Pública
Study 11 A Acupuntura No Cuidado Perioperatório De Mulheres Acima De 50 Anos Submetidas À Artroscopia Da Articulação Coxofemoral: Revisão Integrativa Da Literatura E Estudo De Caso
Study 12 Ayurveda No Sistema Único De Saúde: Um Relato De Experiência
CHAPTER 5. O futuro do cuidar: espiritualidade, ética e integralidade na saúde pública

O futuro do cuidado em saúde pública enfrentará inevitavelmente a dimensão espiritual, não por imposição religiosa, mas por evidências robustas que associam práticas espirituais regulares a menor mortalidade cardiovascular, melhor controle de condições crônicas, maior adesão terapêutica e redução de ideação suicida. Contudo, a integração da espiritualidade em sistemas públicos, como o SUS, suscita problemas éticos graves: o risco de confissionalismo, a medicalização da espiritualidade, que esvazia seu sentido existencial, e a falsa simetria avaliativa, que pode abrir espaço para charlatanismo.

Propõe-se um modelo de integralidade espiritualmente informada ancorado em quatro pilares éticos: respeito à autonomia, com pergunta não obrigatória sobre o interesse do usuário; beneficência contextualizada, facilitando o acesso a práticas culturalmente sancionadas que melhorem desfechos sem danos; não maleficência, evitando imposições; e justiça distributiva, com representação de populações tradicionais nos espaços de decisão.

Experiências internacionais oferecem modelos adaptáveis, como a capelania multiconfessional do NHS britânico e o programa da Duke University que reduziu as readmissões hospitalares. No Brasil, o Hospital São Paulo (UNIFESP) inclui suporte espiritual não religioso em cuidados paliativos, mas a escala no SUS exige formação transversal em residências e protocolos claros. O futuro do cuidado será integral por princípio, incluindo finitude, sentido e sagrado na conversa sobre saúde pública, com ética rigorosa que impeça tanto o abandono laicista quanto o domínio clérico.

O capítulo não oferece soluções prontas, mas um quadro teórico-normativo para que gestores, profissionais e usuários construam protocolos do amanhã, sustentando a pergunta irredutível: o que faz uma vida valer a pena ser vivida quando o corpo já não responde aos medicamentos?

Study 13 O Projeto De Extensão Alegria Contagia No Rio Innovation Week: Inovação, Sustentabilidade E Estratégias Lúdicas De Educação Em Saúde: Um Relato De Experiência
Study 14 Humanização Na Hospitalização Pediátrica: Relato De Experiência Do Projeto Alegria Contagia Em Um Simpósio Acadêmico
Study 15 Aromaterapia Na Saúde Materno-Infantil

Submit Your Ebook

Researchers and authors interested in publishing their ebooks with Global Academic Publisher are invited to contact our editorial team. We follow the same rigorous standards of peer review and editorial quality applied to our scientific journals.

Email: [email protected]